» A pedagogia da manga
Uma das queixas recorrentes sopradas pelas mulheres, sejam raparigas em flor ou lindas afilhadas de Balzac, diz respeito à pratica milenar do sexo oral por parte dos homens.
Além de displicentes e pouco devotos, os rapazes, em particular os da novíssima geração, não estariam voltados para tal cerimônia como necessário. “Ou como antigamente,” suspira o bloco da saudade.
O protesto do megafone do mulherio faz lá o seu sentido. Maria do Carmo, aquele rapaz que comprei do escriba Tarso de Castro e infiltrei nos banheiros femininos, anda espantado com o volume de reclamações neste tema tão nobre. “Os cabras estão chegando aos 30 anos sem saber sequer dar um bom dia a uma mulher”, diz o meu assessor esquisitão.
Foi ai que lembrei de uma lição das antigas: a pedagogia da manga. Os mais velhos, sobretudo nas cidades e vilarejos do interior, aconselhavam os mancebos a chupar a fruta da mangueira como educação sentimental para o futuro homem na alcova. Além de saudável, o exercício evitaria queixas femininas como as que hoje reverberam nas nossas oiças atentas.
Outro dia lembrei do conselho e o retransmiti, rapidinho, no programa de rádio “Trip Eldorado”, comandado por Paulo Lima, SP. Foi um estrondo. O que devo ter vendido de manga nas feiras do dia seguinte não está no gibi. A produção em Petrolina, terra que exporta a danada para servir de pedagogia além-mar, também foi nas alturas.
Olha a manga, olha a manga!
Chupar manga com gosto, lambuzando-se todo, como nas descrições feitas por Gilberto Freyre.
Não como o cão chupando manga, feio, mal-assombrado e sem jeito.
Jamais com assepsia ou nojo, como um “mauricinho” diante da vida. Como o medo do goleiro diante do pênalti.
Chupar manga com a devoção que devemos às mulheres.
O “amarelo manga” tingindo, tingindo de cor a face pálida dos amores.
Escrito por: Xico Sá é autor dos livros “Divina Comédia da Fama” (editora Objetiva) e “Modos de Macho & Modinhas de Fêmea” (editora Record)
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