Classificados Livro de visitas Enquetes
Classificados, Livro de visitas, Mural de recados, pagerank, noticias
Guia de pousadas
  Home    Mulher    Saúde    Juventude    Carros    Livro/CD 
  Reflexões    Histórias    Animais    Internet    Curiosidades    Culinária    Jogos 
  Guia-ABC - São Paulo    Livro de Visitas    Enquetes    MURAL DE RECADOS 
Anúncios



Anuncie aqui! - por apenas 500,00 Reais por ano!

Minha história

» 1956 — 1996

Finalmente a 1 de Maio de 1956 o Paquete Moçambique chega a Luanda, numa manhã cinzenta e calma, motores desligados o navio entra calmamente nas águas da Baía, uma cortina cinzenta de cacimbo não deixa ver nada à nossa frente, somente se ouvem motores de outras embarcações e apitos, vozes que avisam da sua aproximação, dentro do navio a excitação é grande, correrias de um lado para o outro, o debruçar na amurada para ver se consegue descortinar algo à nossa frente, o monte de malas nos corredores do convés, enquanto o navio desliza calmamente rumo ao Porto de Luanda, já com o Piloto da Barra a bordo que veio buscar o navio à entrada da Barra, à nossa esquerda começa-se a desenhar altos Morros de terra, entre o amarelo, vermelho e castanho, Gaivotas cruzam o navio de um lado para o outro, com os seus pios agudos e estridentes, à nossa direita uma língua de terra comprida com Palmeiras e Coqueiros à mistura com outra vegetação que dão à paisagem um tom radicalmente diferente daquilo a que vínhamos habituados do Continente de onde saímos faz hoje 11 dias.

Lisboa 20 de Abril de 1956 do cais de Alcântara parte o navio Moçambique rumo a Angola com carga e passageiros numa viagem prevista de 11 dias, com paragem na Madeira. Como passageiros uma centena de pessoas com rumos diferentes no interior de Angola, e moçambique, mulheres casadas por procuração iam ao encontro de um homem sem o ter conhecido antes, a não ser por fotografia, outras casadas por procuração, essas tinham namorado no Continente e só agora poderiam finalmente juntar à pessoa com quem tinham casado visto ele não se poder ou não querer deslocar ao Continente. Mulheres casadas com ou sem filhos que finalmente se iam juntar aos seus maridos que tinham partido muito antes na tentativa de conseguir uma vida melhor do a que tinham no Continente. Homens que partiam também à procura de melhor vida alguns numa completa aventura outros já com carta de chamada de amigos ou familiares que já lá se encontravam e lhe arranjavam a tal carta de chamada que implicava uma grande responsabilidade para quem a arranjava que o tornava responsável por essa pessoa, a maior parte era gente humilde do interior do Território que nunca tinham visto um navio ou mesmo o mar.

De entre todos esses passageiros minha Mãe eu e os meus dois irmãos também nos íamos juntar ao meu Pai que se encontrava em Luanda trabalhando como distribuidor de cerveja na Fábrica da Cuca. A bordo era tudo muito estranho e diferente de tudo a que estava habituado a começar nas refeições e acabar nos porões onde dormíamos um salão enorme cheio de beliches uns em cima dos outros, atravancados de cestos, garrafões de vinho, de azeite, chouriços, salpicões, presuntos, fruta e outras coisa que as pessoas queriam levar consigo que impregnava o ambiente insuportável de cheiros e odores, a par dos cheiros das suas roupas e corpos por lavar, misturado com cheiro de urina de putos que nunca tinham utilizado uma casa de banho na vida deles, e por isso urinavam para o primeiro canto que encontrassem. Na primeira refeição a bordo foi um autentico desastre com as pessoas a tentar comer o que vinha para a mesa, misturando tudo numa gula desenfreada, resultado, aliado ao balanço do navio passado um bocado era o pessoal todo a vomitar por todos os cantos do barco, dia e meio depois de termos partido de Lisboa chegamos à Madeira, ficamos ao largo, alguns passageiros foram a terra a bordo de uma lancha, os outros ficaram abordo, pequenas embarcações acercaram-se do navio com lembranças da Madeira, trabalho artesanal que vendiam, os passageiros atiravam o dinheiro para as embarcações e através de uma corda as lembranças eram então içadas para bordo, outros pequenos miúdos, pediam que lhe atirassem moedas para a água, que eles logo mergulhavam e iam em busca delas a caminho do fundo do mar em grandes mergulhos para delírio de todos debruçados na murada do navio, assim se passaram as horas de paragem na Madeira, dessa paragem resultou a primeira amizade feita a bordo dois irmãos que vinham bem do interior de Portugal e da minha idade um deles o mais velho comprou um pequeno cavaquinho com cordas e umas fitas amarradas muito garridas, resultado todos queriam tocar a pequena viola, tanto o aborrecemos com a insistência que ele atirou o cavaquinho pela borda fora e lá se foi a música, ouve um termo que eu aprendi com ele que nunca mais o esqueci e quando já em Portugal num encontro de pessoas retornadas de Angola em Coimbra no choupalinho nos encontramos de novo ele e eu exclamamos ao mesmo tempo " Olha o compadre cossa à brilha"

O resto da viagem à excepção da passagem do Equador, no qual fizemos um exercício de por colete de salvação e ir para a nossa baleeira de salvação como se o navio estivesse a ir ao fundo com banho de água à mistura o que resultou numa grande confusão pois muitos pensaram que era a sério, tudo acabou em bem, o resto dos dias foram sempre iguais até à nossa chegada a Luanda em 1 de Maio de 1956, manhã muito cedo, a nossa ansiedade era muito grande, para saber como iria ser a tal falada África dos pretos como se dizia em Portugal, com aproximação do navio ao cais de Luanda a cidade ia tomando forma, primeiro à nossa esquerda um morro enorme e bem em cima um majestoso Forte da Barra, que defendeu no tempo dos conquistadores, a entrada da barra com os seus grandes canhões virados para nós, hoje sem qualquer actividade. Em frente a cidade com os seus lindos e altos edifícios de lindas cores e uma marginal que ainda hoje é o Ex-Libris da cidade, à nossa direita bem dentro da cidade plantado em cima de um brutal monte de terra a Fortaleza de São Miguel local que dava para ver a cidade e as praias da Ilha quer de dia quer de noite como miradouro e com uma beleza nunca vistas.

Muito lentamente o navio lá se ia aproximando do cais as pessoas iam-se tornando cada vez mais visíveis e nós na ânsia de vermos as pessoas que procurávamos íamos gritando estão ali, não ali, não está de camisa branca, até que sim lá conseguíamos ver quem queríamos e aí eram os gritos os acenos as perguntas, feitas as manobras de atracagem do navio, começaram as formalidades de desembarque já com as autoridades a bordo.

Tudo com muita lentidão à mistura com empurrões todos a quererem ser os primeiros, finalmente chegou a nossa vez de sair e pela primeira vez pisamos solo africano, à uma sensação muito estranha de sons, cheiros e vozes e à mistura uma embriaguez que nos põe tonto e sem reacção.

Os Europeus num tom de pele muito tisnado, mesmo amarelo torrado num contraste de vestimentas brancas e muito suados, em contra partida os negros calmos pachorrentos transpirando muito e com os olhos muito abertos olhando as cenas de chegada dos abraços, dos beijos, eram os bagageiros que transportavam as nossas malas para os carros que nos levariam enfim para os locais que cada um iria habitar.

Postas as malas na carripana que nos veio buscar emprestada a meu Pai pelo Sr. Pires que nos transportaria à casa que iríamos habitar no Bairro da Cuca, a minha Mãe na cabine, e nós os três na carroçeria que era aberta e junto com as malas, com os olhos muito abertos olhando numa ânsia desmedida de querer mirar tudo numa só vez, marginal fora que encanto de Avenida ladeada do lado direito por Palmeiras junto ao mar formando então a tal famosa Baía de Luanda, um dos muitos locais que muito me marcaria para o resto da minha vida.

Deixamos para trás a avenida e seguimos outras ruas muito poucas com asfalto a maioria eram picadas em terra muito vermelha levantando uma poeira que à mistura com o suor que nos começava a escorrer pelo corpo sujando a roupa e o corpo, e nos tornava indolentes.

Algumas picadas eram somente os sulcos que os carros deixavam ao passar, um pequeno desvio e lá ficava um enterrado isto sem contar com os grandes buracos que quando chovia formavam grandes lagos que eram a alegria de muitos negros miúdos que chafurdavam nesses lagos de uma cor avermelhada com tons de castanho, e que serviam como Piscinas. Água canalizada era um luxo para alguns, essas lagoas serviam também para nascer e criar milhões de mosquitos que eram uma das maiores pragas que cedo tivemos de começar a enfrentar, começando logo por tomar comprimidos contra o paludismo, camoquine todos os dias e resoquine todas as semanas, águas fervidas e passadas pelo filtro um bonito aparelho de louça com uma vela também em louça por onde a água teria de passar e ser então filtrada saindo através de uma torneira metálica era uma água fresca e saborosa, depois de muitas peripécias lá chegamos ao Bairro da Cuca. Nome dado pelo facto de lá existir a Fábrica da Cerveja Cuca, para onde o meu Pai veio trabalhar quando da sua vinda para Angola, começando por ser distribuidor da mesma cerveja pela Cidade e arredores, e mais tarde chefe do fabrico da mesma.

Chegados à casa que viríamos a habitar até 1961, a nossa excitação era enorme, começamos a correr à volta da mesma como loucos para a conhecer, era uma casa recuada no terreno em que estava implantada de estilo Colonial como tantas outras, descarregadas as malas começamos logo por atacar bananas que o meu Pai tinha na dispensa da casa, um grande cacho de grandes e maduras bananas, percorridas as divisões da casa e um grande anexo que ficava na parte de trás da casa.

Nesse mesmo dia fomos entregar a carripana ao Sr. Pires que era Construtor Civil, mas na casa em que vivia que era dele e muito grande servia também de Pensão para algumas pessoas que enquanto não organizavam vida ali estavam hospedados tal como o meu Pai, e era gerida pela Esposa.

O casal tinha duas filhas, a Deolinda e a Maria,

que eram sensivelmente da nossa idade, fomos então apresentados ao casal e ás referidas filhas e foi aí que começou a história da minha vida, quando encarei com uns olhos grandes expressivos e muito bonitos, era a Maria a Mulher que viria a marcar para sempre a minha vida, tinha eu 12 anos feitos logo em Junho de esse ano e ela 9 anos de idade, alguns passeios foram dados pelos dois casais e respectivos filhos e fomos também brincando e nos enamorando lentamente até chegar ao namoro oficial que durou até aos 18 anos, o pedido foi feito com um cartão que tive que comprar, onde em cada canto tinha uma frase, que previa todas as situações de um pedido que não era feito verbalmente, ao centro vinha impresso o respectivo pedido de namoro e em cada canto a respectiva resposta, o sim, o não, talvez ou vou pensar, teria que ser dobrado o canto escolhido e devolvido, naturalmente o sim foi o escolhido e começou o nosso namoro e também os nossos tormentos, pois esse namoro não foi bem visto pelo meu Pai que o contestou e me ameaçou durante todo o tempo que ele durou, pondo mesmo grandes dúvidas na minha cabeça acerca da honradez da minha grande paixão, chegando mesmo a insinuar que ela era um joguete nas mãos dos hospedes da pensão, no tempo em que isto se passou e dada a minha imaturidade isso tinha uma grande importância, a mulher que tanto queria não era a aquilo que pensava e tanto que acabou mesmo por conseguir com que acaba-se o namoro, decorria o ano de 1961.

Tudo terminado, cada um para seu lado, passado um ano voltei a namorar, conheci uma garota namoramos quatro anos e casamos, foi a mãe dos meus dois filhos, casamento que durou trinta anos, gostei muito da minha esposa, mas nada como o grande amor que foi o primeiro, nunca mais essa mulher saiu do meu pensamento.

Não nos voltamos a ver em Angola, e não soube mais do seu paradeiro, em 1975 regressei a Portugal devido à descolonização, e para minha grande alegria, casualmente encontro a irmã que me diz que a Maria também estava em Portugal, com isto tinham passado trinta anos sem nos ver-mos pedi através da irmã que ela me recebe-se o que veio a acontecer, foi um encontro por demais emocionante, mas muita coisa tinha acontecido nas nossas vidas, nada era como antigamente, ela tinha a vida e o casamento destroçado, pois também casou, mas também não deu certo, teve que criar três filhos sozinha, o marido dividia a vida com ela e uma amante, quando nos encontramos ela estava com os três filhos sozinha em Portugal, o marido tinha ficado em Angola com a referida amante.

Com o meu Divórcio, não voltei a ter qualquer ligação com mais ninguém, um dia a Maria telefona para o meu trabalho mas como eu estava muito ocupado, pedi para ela ligar à noite para minha casa, ela muito naturalmente e porque não sabia do meu divórcio, pergunta e a tua esposa, eu então revelei que já não era casado.

A Maria no primeiro fim de semana veio ter comigo.

Vivemos então 3 meses juntos pela primeira vez e fundimos finalmente o nosso grande amor que nunca morreu, mas e existe sempre um mas, a Maria tinha e tem um grande drama na sua vida, os seus três filhos todos maiores de idade e vivendo com ela são pessoas que estão metidas na droga, e não nos deixaram em paz.

Adultos que somos conversamos e terminamos a nossa ligação, ela foi viver na cidade onde vivia e eu fiquei onde estou, falamos ao telefone sempre que podemos, a chama continua, mas a vida nem sempre é como nós queremos, mas uma coisa não consegue apagar este amor que dura desde 1956.

Escrito por: Escritor desconhecido


ao escritor desconhecido da história sobre luanda, bairro da Cuca.
nessa época eu estudei no colégio João de Deus, professora era a D ª. Lídia esposa do Sr. Vargas, eu que tinham os filhos Carlinhos e Vanda. Eu era conhecido como "Alves" (Fernando Augusto Alves).
Acredito que as irmãs, que era minhas colegas sejam a Deolinda e Maria José.
Na frente da casa delas, em frente à fábrica de cervejas havia uma bomba de gasolina. Outros colegas cujo nome lembro são: Luis, Moura, Ernani, Neuza (natural do porto).
A Dª. Lídia era do Algarve, de Faro ou Olhão. Se houver alguém dessa época por favor entre em contato.

Escrito por: fernando alves
Eu, também estudei no Colégio João de Deus, desde a primeira classe até à treceira, de seguida fui para o colégio Gago Coutinho, onde fiz a quarta classe, Fui para o Emidio Navarro, dei-me mal naquela escola fui para o colégio Dº Moisés Alves de Pinho, que ficava na Vila Alice, andei lá até ao treceiro ano, 1974, vim para Portugal em 1975.
Em Portugal claro andei um ano, fiquei mal passei a ir estudar à noite, comecei a trabalhar, na minha vida livre ando no Escutismo (C.N.E), onde em Luanda também andava, e continuei em Portugal principalmente onde vivo no Peso da Régua, e estou no Agrupamento 282 de Godim, grupo com 83 anos de vida.
Deixo meu contacto telm.967727198

Escrito por: Carlos Manuel Ferreira Pinheiro

Suas palavras são importantes - Envie sua história - ou dê um significado para uma palavra.
Anúncios


Meu Sonho
Achando - No achando.info você pode achar palavras e os respectivos significados.



Faça parte do nosso portal, seja interativo, escrevendo sobre tudo que você quiser e muito mais,...

Seja nosso parceiro!

Nos agradecemos a todos pelo interesse e pela participação...
continuam assim...